quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

O Passeio Mortal

Capitulo 1 #

O Passeio de Formatura

- Meu nome é Alan tenho 17 anos moro em uma pequena cidade encontrada no interior de São Paulo, estudo na maior escola da região, rotulada como a melhor, e como era o meu ultimo ano estudando organizamos uma grande festa entre os alunos, em uma das maiores fazendas que eu já tinha visto na vida, para comemorar a formatura, a fazenda era maravilhosa e se encontrava perto do litoral, porém a cidade era pequena, e quase nunca alguém falava sobre ela.
Como era de se esperar logo de manhã minha mãe bate na porta do meu quarto, sempre batia com força para que eu acordasse, pois sempre me atrasava para a escola, sem minha mãe eu ainda estaria na 8° serie.

- Alan já esta tarde levante a vá para a escola, logo seus amigos passam para te chamar. – Ela bate na porta e a abre, apenas olho para seu rosto, ainda bocejando e seu sorriso fixado a mim, mostrava sua paciência, como sempre levava aquele olhar de mãe, fundos olhos azuis que sempre animavam meu primeiro abrir de olhos depois de um longo sono

- Sim mãe eu já estou indo. – Respondi colocando o travesseiro sobre a cabeça.

- Vamos, não durma de novo, ou vai se atrasar garotão. – E ela deixa o quarto. Como sempre levantei neste dia com muita preguiça queria dormir ate tarde, sentei na cama e logo levanto ainda com os olhos quase fechados, abri a janela e o sol brilhava muito forte, era um dia lindo sem nuvens cobrindo o céu, da janela do meu quarto dava parar ver a rua onde cresci e aprontei muito com meus amigos, me passa cada lembrança quando olhava para essas grandes arvores onde todos os dias, subíamos para se esconder da mãe do Rique, que sempre queria dar uns puxões de orelha em nós, por aprontarmos de mais, lembranças a parte era a hora de me arrumar, voltei a fechar a janela me vesti rapidamente, coloquei meu tênis e desci para o banheiro. Mas como sempre o banheiro estava ocupado era minha irmã Sarah que ficava mais de 1 hora trancada lá dentro. 
- Sarah da pra você sair logo daí eu quero escovar os dentes. – Minha irmã tinha 14 anos, sempre querendo se passar por mais velha, ficava horas arrumando aqueles longos cabelos castanhos, não sei para que, ela ainda não passava de uma criança.

- Ah será que uma adolescente não pode ter sua privacidade? – Gritou de dentro do banheiro. - Mãe você tem que fazer outro banheiro, não estou brincando - Todo dia era assim já estava acostumado com ela saindo gritando do banheiro. Logo ela sai e eu já entro e tranco a porta, olhando para o espelho me espantei com a espinha que estava se formando em minha testa.

- Droga, uma espinha logo na véspera do passeio. – Abrindo o armário, pego uma pomada que há tempos não usava, joguei-a de monte em minha testa, esfregando ate ficar branca, sujando sorrateiramente meu cabelo, que saco ele estava grande, tão grande que caia quase em meus olhos, pegando o gel, espeto-o ate ficar em pé.

- Bom, não é querer me gabar, mas ficou legal. – Falava para mim mesmo, meu cabelo estava realmente espetado, já não estava em meus olhos, podendo destacar a cor azul que eles tinham.

Escovei os dentes, e logo deixei o banheiro, limpando minha testa suja de pomada. Desci correndo as escadas de casa jogando a mochila nos ombros, logo vejo meu pai, ele estava lendo seu jornal na sala e antes de qualquer coisa já fala balançando seus óculos.

- Alan aonde é esta festa que vocês vão? 

- É em uma fazenda subindo a serra em direção ao litoral

- Você sabe muito bem que aqueles lados são bem perigosos e ficam em um local rodeado por mata fechada, vocês podem se perder, e para piorar adolescentes nestas festas alem de beberem se drogam e ficam iguais uns locos, estou confiando em você quero que me prometa que não vai fazer nada de que ache errado 
- Não, eu como na cantina da escola. - Eu abri a porta e lá estavam Marcus, Rique, Dani e Elisa, meus amigos, já me esperando para juntos irmos para a escola. Correndo eu abri o portão, com o sol brilhando nem meu rosto, logo reparo em Dani como sempre linda com seus cabelos castanhos e olhos verdes que chamavam á atenção de todos á quem a olha-se.

- Oi Dani, tudo bem?

- Oi Alan, estamos atrasados sabia? – Dani vem em minha direção e me abraça olhando para Elisa que sem mais desvia o olhar

- Cara vamos logo, chegando à escola vamos começar a organizar a nossa festa. - Marcus falou com um sorriso de quem estava feliz e ansioso, e com seus livros na mão, sempre meio inseguro com seus óculos abundantes que me faz rir sempre que eu os via 

- Vêm aqui vocês dois, Marcus e Alan, você não Dani fique com a Elisa a conversa é de Homens. – Rique sempre inquieto e tramando as dele, ele era o “fortão” do colégio todos temiam ele, mas ninguém realmente o conhecia como eu, sempre com sua jaqueta de time estampada, e com o seu topete liso.

- O que vocês vão falar? – Pergunta Dani, e com uma resposta nada harmoniosa Rique responde

-Não interessa, fique ai já voltamos. - Rique pega no meu ombro e no de Marcus e se afastamos das meninas.

- O que foi Rique?

- Cara amanha vamos tranzar que nem loucos, e encher a cara, e cheirar ate dormir, varias garotas nos nossos pés, vai ser a melhor noite de toda nossa vida, mais temos que despistar a Dani e a Elisa. - Olhamos para a cara do Rique, e o Marcus falou com uma gargalhada fútil

- Bem que as duas são gotosas. - Eu e Rique olhamos para Marcus

- Cara nós conhecemos elas dês da pré-escola isso seria estranho.

- Sim seria muito estranho. - Nós três começamos a rir

- Ei o que vocês tanto conversam, estamos atrasados para o colégio - A Elisa perguntando com a fase de brava, raramente estava de boa conosco, principalmente comigo, aqueles cabelos louros não me enganam, ela parece doce e frágil, mas era impaciente e com temperamento difícil

- Vamos logo para a escola que amanha vai ser um longo dia, ou melhor, uma longa noite.
Nos cincos começamos a caminhar e conversando o caminho todo sobre o grande passeio, andávamos todos rindo e combinando, quando vimos um jornal ao chão, eu fui o primeiro a notar e o peguei em mãos. Começando a ler vi uma noticia que me chamou a atenção, um acidente na serra com quatro mortos. 

- Gente, é aonde nós vamos amanha, é esta estrada, olhem. – Exclamando eu comecei a ler. – “Ontem na tarde de Domingo, foram achados os corpos de Estevan Silva, Janete Finger, Osmar Camargo e Denner Arruda, eles estavam sumidos há uma semana, e o carro foi localizado em um precipício da serra próximo ao vilarejo de Valesco, os corpos estavam desfigurados, e seus documentos não se encontravam no carro, só foi possível o reconhecimento dos corpos, após a família registrar, mas informações na Pagina A2”

- Ta na cara que foi morte por acidente, tem muitos precipícios na serra. – Falou Rique, mas Elisa completa tomando o jornal de minhas mãos.

- Nossas eram jovens, - olhava as fotos e dizia – que pena não?

- Bom o que importa é que amanha vamos beber até cair. – Gritei, aos ombros de Marcus e Rique.

- Homens são todos iguais. – Exclamou Dani 

Chegamos ao portão da escola, ele logo se fecha quase chegamos atrasados, assim que entrei logo avistei Carla uma garota linda e sensual, ela tinha longos cabelos castanhos e um corpo maravilhoso, era uma das garotas que Rique já havia namorado coisa que eu nunca iria conseguir, ela estava com a Barbara sua amiga, que também era linda, seus olhos eram levemente puxados, e seu sorriso era cativante. Elisa as odiava não sei por que, sempre que eu conversava com elas Elisa saia de perto ou ficava estranha, eu não entendo, mas enfim não deixaria passar aquela oportunidade de falar com Carla, já que ela estava vindo em minha direção, chegava cada vez mais perto, com aquele jogo de cabelo que só ela tinha, parecia que estava em câmera lenta perante aos meus olhos, eu estava vidrado em seu caminhar 

- Oi – Falou a garota parando em minha frente, eu demorei um pouco para responder, não acreditava que ela havia falado comigo. 

- O-Oi! – gaguejei, e já respondi diretamente – Tudo bem com vocês? – Engoli a seco o que estava preso em minha garganta.

- Estamos bem. – Respondeu Carla com sua delicada voz. Quando comecei a falar com Carla e Barbara, Elisa puxava os braços de Dani, e ambas andaram para a direção da sala de aula.

- Aonde você vai Elisa? – Perguntei olhando para trás. 

- Alan, vou indo na frente não quero me atrasar pra aula, alias hoje é nosso ultimo dia

- Está bem te encontro na sala. – Ficamos um tempo lá, Marcos e Rique estavam disputando quem seria o primeiro a convidar uma delas para a festa. Então eu e os dois idiotas sentamos no banco do pátio já com intenção das garotas falarem conosco. Nós três sentados, e enfim demos um beijo na bochecha das duas.

- Vocês vão à festa da fazenda não vão? – Perguntou Rique, que já dava uma piscadela para Barbara, que correspondia com sorrisos. 

- Claro amanha sairemos cedo de casa, pois a viagem é longa – Respondeu Barbara.

- Vai estar com alguém lá Alan? – Carla perguntou o que eu queria que ela perguntasse há tempos, minhas pernas ficaram tremulas, nestes cinco anos que estudávamos, eu sempre quis ficar com ela, mas ela apenas me rebaixava, já tive namoradas, mas ela era quem eu sempre quis.

- Eu! E... – Não consegui me expressar, fiquei paralisado ela nunca tinha dado tanta bola pra mim, Barbara que estava do lado dela começou a dar pequenas risadas e jogos de olhares pra Rique que levantou e não perdeu tempo, ele era meio disparado. 

- Barbara vai com alguém?

- Não – Respondeu sem esperar

- Gostaria de ir comigo, sabe agente vai de carro e se não for te incomodar, chegando à fazenda levarei você para um passeio, o que acha?

- Legal, então a Carla vai com o Alan e eu com você, nós temos que ir para a aula, se não ficaremos com falta em Biologia. - Eu estava de boca aberta eu não tinha dito uma palavra significativa para Carla, enquanto Marcus estava sentado meio triste por não constar nada para ele a ele. As garotas então se despedem, e vão embora para a sala.

- O que foi isso Rique? Belisca-me, por favor. 

- Cala a boca Alan, Carla só ficará com você por que eu estava aqui, e outra eu já namorei ela, e eu sei quando ela está fingindo.

- O que quer dizer com fingindo?

- tava na cara que ela queria fazer ciúmes para mim. – Com um tom de ironia ele exclamava alto e claro para todos escutarem, Rique era o pior a discutir quando o assunto era garotas, resolvi não dar à mínima, e nós três levantamos no banco direto ao corredor, mas ao chegar ao mesmo, Elisa me surpreende puxando um de meus braços. 

- Vocês dois sumam daqui tenho que falar com ele, - gritava para Rique e Marcus. – Escutou Marcus?

- Ta sem problemas. - Marcus e Rique entram na sala, eu nunca vi Elisa tão brava

- Então você vai com aquelas vadias na festa?

- Sim, mais não entendo por que esta tão brava

- Eu não gosto delas, e conhecendo você acho que aquela Carla não faz seu tipo.

- Não? Não faz mesmo, ela é totalmente diferente de mim, mais eu a acho bonita, e quero sair com ela, sempre quis sair com ela. 

- Você é um idiota mesmo. - Ela vira as costas e sai brava não entendia.

O tempo passou voando, e o dia já ia embora, o ultimo sinal bate já era hora de irmos para casa. Na saída da escola encontrei Marcus sozinho, pois não havia saído com ele e nem Rique

- Cadê o Rique? – Olhei para os lados perguntando, para ver se via o Rique ou ate mesmo a Elisa, que estava estranha comigo.

- Cara ele foi pegar a Barbara

- Mas, como assim, ela já foi ficar com ela?

- Sim, sabe como ele é, mas temos que ir depressa velho, que tenho que arrumar o carro do meu pai para amanhã.

- Sim vou te ajudar, vamos passar em casa primeiro. 

Naquela hora não tinha encontrado a Elisa e nem a Dani, acho que ela ficou realmente brava, mais não importa amanha eu vou encontrá-la e pedirei desculpas por uma coisa que eu não sei o motivo, será pela Carla? Ou será por eu vou ficar com ela na festa? Eu ainda não sei, mas amanhã irei saber. Quando eu ia saindo da escola um vento me fez senti um ardo arrepio, e por uma coincidência estranha, o jornal com a mesma noticia que eu li de manhã voou em minha direção. Agachei-me e peguei ele na minha mão, fixando o olhar nas fotos das vitimas, eu comecei a me sentir nervoso, algo que eu não poderia distinguir.

- Alan, largue este jornal de ontem, temos muito a preparar. – Distraído com o jornal, Marcus me repreende e me puxa para irmos. Não tive escolha, larguei o jornal no mesmo lugar, mas ainda arrepiado dos pés a cabeça




                                                     Fim do capitulo 1

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