terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Perseguição nos túneis


- Eles mataram minha mãe. – essa frase era repetida, tanto em pensamento, quanto em voz, por Fabio, repetidas vezes.
Os três dias legais de descanso após a morte de um parente em primeiro grau, garantidos na CLT, haviam passado. Fabio voltou ao escritório com o rosto inchado, desanimado e sem qualquer condição de executar as tarefas de sua responsabilidade. Raquel e Hans tentavam puxar conversa, buscavam animar o agora órfão colega, mas as respostas monossilábicas e pouco animadas fizeram com que desistissem da ideia.
- Ele não está bem. Vamos marcar um psicólogo a ele. Quem sabe ele não tira uma licença e melhora? – Raquel sugeriu ao chefe.
- Não, somente o tempo irá curar o coitado. Precisamos dar algo para ele ocupar a cabeça. Só não sei o quê…
Hans buscava sugerir algo diferente para Fabio. Algo da cultura irlandesa. Críquete? Noites nos pubs paulistanos? Rúgbi, corrida de cavalos? O homem ruivo ria silenciosamente ao imaginar o colega em qualquer das situações. Contudo sabia que era inútil tentar, forçadamente, livrá-lo daquela angústia. Já estava quase desistindo quando o telefone do escritório tocou. Era o governador, em pessoa. Conversaram durante vinte minutos.
Raquel voltava do almoço quando encontrou Hans preenchendo papéis. Curiosa, viu que eram formulários de requerimento de armamentos pesados, como lança-chamas, e metralhadoras com tripé. “Qual exército vai usar isto?” O ruivo apenas sorriu, e apontou o dedo para Fabio que, perdido em pensamentos e olhando pela janela, não ouviu a conversa dos colegas. “É hora da vingança”.
                                                                         
                                                                        XXX
A madrugada chegava, e o carro do DEIS São Paulo cruzava a capital estadual até uma das estações do metrô. “Temos relatos, com uma vítima fatal, de que seres estranhos têm atacado pessoas nos túneis subterrâneos. O governador em pessoa me autorizou a usar a força necessária para achar os culpados. Disse também que imagens das tais criaturas, capturadas pelas câmeras de segurança, já estão circulando nos departamentos de polícia”. Ao abrir o porta-malas, mostrou as granadas, caixas de munição e óculos de visão noturna, além das já citadas metralhadoras e lança-chamas. Fabio, sem dizer uma palavra, se apoderou do arsenal, já consumido pelo ódio e desejo de exterminar aquelas que ceifaram a vida de sua mãe. A Hans e Raquel restou guardar a entrada do túnel, para que ninguém atrapalhasse a operação.
Quem visse o agente carregando aquela quantidade de armas presumia uma guerra. E era, sem dúvida, uma guerra particular. Só não trazia mais coisas porque seria impossível carregar tanto peso. Por isso, montou os equipamentos de forma que teria uma visão de 180 graus, com a parede às suas costas. Desta forma, o elemento surpresa estaria descartado. Nada atrapalharia sua operação.
 Para chamar a atenção dos zumbis, Fabio cortou sua mão e espalhou sangue em diversos lugares da estação. Nos trilhos, no saguão de embarque (até na faixa amarela) e nas escadas rolantes. A dor do corte não foi sentida. Como em um jogo de primeira pessoa, só precisaria mover sua arma, mirar e exterminar qualquer ser branco e sem pelos, sedento de sangue a carne humanos.
Para chamar a atenção dos zumbis, Fabio cortou sua mão e espalhou sangue em diversos lugares da estação. Nos trilhos, no saguão de embarque (até na faixa amarela) e nas escadas rolantes. A dor do corte não foi sentida. Como em um jogo de primeira pessoa, só precisaria mover sua arma, mirar e exterminar qualquer ser branco e sem pelos, sedento de sangue a carne humanos.
Não demorou para os uivos começarem a ser ouvidos. Os mesmos uivos que sua mãe um dia ouvia e rezava para que os zumbis não chegassem à sua casa. Pelo barulho, pareciam muitos. Mas três apenas apareceram, para cheirar o sangue. “Maldito eco” pensou. Como em um exercício de tiro ao alvo com pistola, Fabio acertou a cabeça de dois, matando-os na hora. O terceiro poderia ter desaparecido da mesma forma, mas o rapaz quis brincar um pouco com sua presa, atirando na perna. Riu alto, com controle da situação. O ser branco e assustado se arrastava para o túnel, onde durante o dia o metrô circula. Fabio impedia seu progresso chutando a cabeça, pregando sua mão no chão com uma faca, e apagando o cigarro nas costas.
Já fraca, a criatura ainda tentava se mexer, mas era logo contido pelas agressões do ex-delegado. Estava prestes a morrer, e seu último suspiro foi um grito extremamente agudo e potente, em direção às escadas. Era um pedido de socorro. Em resposta, diversos uivos e gritos estridentes começaram a surgir, tanto do túnel quanto das escadas. E desta vez não era o eco, eram sim dúzias de seres como aquele que acabava de ser torturado.
Fabio correu para detrás da metralhadora com tripé, e atirou em direção a seus oponentes. Cada bala exterminava dois ou três zumbis, e os tiros vinham em uma sequência extremamente rápida. Isso conteve o avanço dos mesmos. Com uma granada, fechou a passagem das escadas, pois a labareda que se formou impedia o acesso à estação. Mas a munição começou a terminar, e as criaturas apareciam como formigas.
Resolveu correr para o outro lado do túnel. Colocou os óculos com visão noturna, pegou o lança-chamas e correu. As criaturas tinham uma velocidade incrível, e alcançaram Fabio com certa tranquilidade. Foi aí que começaram a ser, literalmente, fritadas. Cada rajada de fogo culminava em um zumbi desesperado, exclamando sua dor e buscando, com as mãos apagar o fogo. Em vão, poucos segundos depois caía, com a pele preta.
Porém, mais uma vez, a quantidade de zumbis era maior que a capacidade do armamento. Fabio, para esgotar o combustível, fez uma parede de fogo, e jogou três granadas ao outro lado. Por alguns segundos, ficou protegido, enquanto ouvia as explosões e os lamentos de seus inimigos. Mas quando um deles atravessou a cortina de chamas, só restou uma luta corporal. Ele sabia que perderia esta luta, então sacou a pistola no primeiro momento em que conseguiu uma distância segura. Atirou no braço, o que não conteve seu oponente. Atirou na perna, arrancando risos do zumbi, que caiu de joelhos, se levantando em seguida. Só restava a faca, e foi isso que Fabio usou para encerrar a luta, ao cortar a garganta do zumbi.
Caído nos trilhos, o ex-delegado notou o silêncio do local. Ao caminhar de volta, via, com os óculos especiais, corpos carbonizados, com marcas de bala, expressões de dor. A cada cadáver daqueles que mataram sua mãe, uma sensação de dever cumprido tomava conta de seu peito. A quietude corroborava a tese de que os que não morreram, fugiram. Havia vencido-os, com a ajuda de Hans e Raquel, que não se intrometeram na luta. Sua mãe estava vingada. Podia, agora, dormir em paz.

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