- Tchau, até amanhã! – Disse ela sorrindo. – Tome cuidado com a volta!
- Pode deixar, vou me cuidar.
Assim nos despedimos, a madrugada já batia a porta da cidade. Passavam das duas e meia da manhã de uma terça-feira. Virei-me e vi uma longa avenida que seria a primeira etapa dessa volta. Comprida e mal e iluminada, senti uma forte brisa percorrer aquele estranho corredor a minha frente. O vento parecia querer procurar mais vida pelos becos e ruelas para poder transpassá-la, mostrar que ainda estava ali.
As casas estavam quietas, em silêncio absoluto. As pessoas dormiam tranqüilas e confortáveis esperando mais um dia árduo de trabalho. Iniciei o meu retorno, ouvia um estranho barulho, eram meus passos. O único som, excetuando-se pelo uivo nervoso da ventania. Engolia a seco a cada cinco minutos, a cidade parecia deserta. Olhava para todos os lados e não via nada, ninguém. Já ofegante pelo caminhar largo e rápido procurava algum gato ou cachorro, nada. Nem o incessante canto dos grilos eu conseguia detectar.
Comecei a olhar para trás para ver uma sombra que fosse, mais uma vez nada enxergava. Lembrei de uma estranha história contada pelos meus pais, segundo eles aquela avenida era assombrada por diversos motivos. Parei para pensar, seria por isso que nada e nem ninguém estava por ali? Agora eu quase corria, sentia um gosto amargo na boca e um medo incessante a aumentar. Parecia que aquela rua queria me extirpar da sua presença, talvez tivesse até adquirido vida.
- Pode deixar, vou me cuidar.
Assim nos despedimos, a madrugada já batia a porta da cidade. Passavam das duas e meia da manhã de uma terça-feira. Virei-me e vi uma longa avenida que seria a primeira etapa dessa volta. Comprida e mal e iluminada, senti uma forte brisa percorrer aquele estranho corredor a minha frente. O vento parecia querer procurar mais vida pelos becos e ruelas para poder transpassá-la, mostrar que ainda estava ali.
As casas estavam quietas, em silêncio absoluto. As pessoas dormiam tranqüilas e confortáveis esperando mais um dia árduo de trabalho. Iniciei o meu retorno, ouvia um estranho barulho, eram meus passos. O único som, excetuando-se pelo uivo nervoso da ventania. Engolia a seco a cada cinco minutos, a cidade parecia deserta. Olhava para todos os lados e não via nada, ninguém. Já ofegante pelo caminhar largo e rápido procurava algum gato ou cachorro, nada. Nem o incessante canto dos grilos eu conseguia detectar.
Comecei a olhar para trás para ver uma sombra que fosse, mais uma vez nada enxergava. Lembrei de uma estranha história contada pelos meus pais, segundo eles aquela avenida era assombrada por diversos motivos. Parei para pensar, seria por isso que nada e nem ninguém estava por ali? Agora eu quase corria, sentia um gosto amargo na boca e um medo incessante a aumentar. Parecia que aquela rua queria me extirpar da sua presença, talvez tivesse até adquirido vida.
Do meio para o final, a rua se afinalara de tal maneira que somente podia se passar um carro por vez, mas não me importava, ela estava se aproximando do fim. Pus-me a observar as janelas das casas, umas abertas, outras de vidro. Me sentia observado, nas janelas via um escuro mais profundo, alguma coisa a me observar...talvez um vulto.
No final da avenida, via diversas árvores junto às casas. Balançavam pela brisa, seus galhos grandes chacoalhavam, com seus frutos parecendo pêndulos. Isso me lembrava um antigo relógio, parecia me alertar do horário e que eu vagava pelas ruas. Os seus galhos balançavam como se me dessem um longo adeus. Juro que comecei a achar que aquele lugar tivesse vida própria.
Desemboquei numa pequena na rua, e dela numa segunda avenida. Passei em frente a um pronto socorro, lá vi um único sinal de vida. Um mendigo dormia na sua porta com uma garrafa de bebida a seu lado. Ele ergueu a cabeça como se sentisse a minha presença, soltou um sorriso, aquilo me parecia maligno. Naquela distância consegui ver a recepção e mais uma vez, via ninguém. Dois caminhos a seguir: poderia ir pelo centro e aumentar o tempo da chegada ou pegar um caminho óbvio pelo tamanho. Um bairro novo que cresceu em meio a mata em menos de três anos, mas ainda um pouco escassa de casas. Ignorei meus temores e ali, fui passando pela parte mais recente da cidade.
No final da avenida, via diversas árvores junto às casas. Balançavam pela brisa, seus galhos grandes chacoalhavam, com seus frutos parecendo pêndulos. Isso me lembrava um antigo relógio, parecia me alertar do horário e que eu vagava pelas ruas. Os seus galhos balançavam como se me dessem um longo adeus. Juro que comecei a achar que aquele lugar tivesse vida própria.
Desemboquei numa pequena na rua, e dela numa segunda avenida. Passei em frente a um pronto socorro, lá vi um único sinal de vida. Um mendigo dormia na sua porta com uma garrafa de bebida a seu lado. Ele ergueu a cabeça como se sentisse a minha presença, soltou um sorriso, aquilo me parecia maligno. Naquela distância consegui ver a recepção e mais uma vez, via ninguém. Dois caminhos a seguir: poderia ir pelo centro e aumentar o tempo da chegada ou pegar um caminho óbvio pelo tamanho. Um bairro novo que cresceu em meio a mata em menos de três anos, mas ainda um pouco escassa de casas. Ignorei meus temores e ali, fui passando pela parte mais recente da cidade.
De novo o silêncio, o poste logo atrás iluminava meu corpo projetando uma sombra, era a única coisa que eu tinha coragem de olhar, já ia mais de meia hora de caminhada. Olhando a minha penumbra vi outra se formar do lado, com o coração na boca resolvi olhar, nada. Nas calçadas em minha volta pequenas árvores insinuavam esconder pessoas a observar. A cidade ainda estava quieta, vi minha casa logo na frente.
Parei. Mais uma vez vi uma sombra por detrás de uma árvore, só que essa se mexia. Ouvi uma voz fina misturada ao uivar do vento me dizer: “Dessa vez passa...” Logo após isso vi um brilho branco, parecia um sorriso por detrás da planta. Correndo para o portão entrei em casa e logo estava dentro de casa. Não acreditava que mais uma vez havia escapado dos desígnios do obscuro.
Parei. Mais uma vez vi uma sombra por detrás de uma árvore, só que essa se mexia. Ouvi uma voz fina misturada ao uivar do vento me dizer: “Dessa vez passa...” Logo após isso vi um brilho branco, parecia um sorriso por detrás da planta. Correndo para o portão entrei em casa e logo estava dentro de casa. Não acreditava que mais uma vez havia escapado dos desígnios do obscuro.
FIM.
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