sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

No mundo dos espíritos

Parte 11

- Claro, mestre.

- Não me chame de mestre aqui, alguém pode ouvir.

- Ora, mas estamos somente nós...

- Não importa. Nesse prédio velho as paredes tem ouvidos. Leve-a para o subterrâneo então.

- Vai fazer aqueles seus experimentos nela?

- Sim, precisamos de novas cobaias, as outras já eram. Entraram em estado vegetativo.

- O senhor quem manda...- Disse maliciosamente, se retirando lentamente da sala.

Ângela e Slototh se olhavam, mais que assustados, não entendiam o verdadeiro significado daquele misterioso diálogo...

- Ora, ora...

- Slototh... Que cara é essa? Até parece que sabe de alguma coisa...

- Hum? Eu? Que isso, mas imagino. – Disse o demônio assustado.

- Sei, bom. Vamos seguir a enfermeira.

E assim fizeram, o ambiente do local era extremamente pesado, os corredores, sinuosos e apertados. A enfermeira mancava de forma estranha e ruidosa e murmurava palavras sem nexo. Era obesa, de um loiro quase branco, a pele inundada por sardas disputando espaço com brotoejas purulentas. Após caminhar por quase meia hora na estranha trama daquele prédio ela chegou em uma sala no fim de um longo corredor e dentro, trancada, Adriana.

O local estava molhado, do teto, velhos encanamentos enferrujados pingavam água incessantemente sobre a cabeça da garota. O local era extremamente frio apesar de estar quase no último andar.

- Mas o quê...? – Falou Angel assustada.

- Isso... – Nem eu sei quantos estão aqui!

Comentavam assustados devido a quantidade de almas que cercavam e atormentavam a garota. Eles não a haviam devido ao círculo de espíritos que a cercavam. Dolores olhava para a garota como se procurasse ela, estranharam aquela ação da misteriosa enfermeira. Espíritos conseguem distinguir iguais de vivos e demônios, inclusive quanto na hora de ver, senão seria uma confusão.
Devagar e com um bom grau de concentração, foram desfazendo as “camadas” que a cercavam. Até enxergá-la...

Adriana estava magra, diferente da linda jovem de dias antes. Amarrada por uma camisa de força, com a roupa em farrapos. Mergulhada nos próprios excrementos, pálida, com olheiras veementes. Vagarosamente Ângela ia se aproximando das amigas aos prantos. E de forma assustadora para Slototh, que permanecia parado, ela conseguia repelir aqueles que cercavam a amiga sem tocá-los.

A amiga além de tudo estava com estranhas inscrições na testa, gritava coisas estranhas desde que ali chegaram e agora havia se silenciado, parecia encarar Angel. Adriana balbuciava alguma coisa em voz baixa quando suspirou e gritou:

- ÂNGELAAA ME AJUDA, TIRA ELE DAQUI. NÃO QUERO QUE ELES FAÇAM ISSO DE NOVO COMIGO! – Desmaiando logo em seguida.

Dolores vendo aquilo, mesmo sem entender disse:

- Maldição, desmaiou! Volto depois. Deve ser a culpa desse demoniozinho que acabou de chegar... – Apontou para Slototh. – Desde quando vocês tem nome? Depois volto aqui. – Saiu gargalhando pelo corredor a fora.

Angel observava pela primeira vez o demônio atônito...

- O que foi Slototh?

- Ela me viu... – Disse em voz baixa.

- Adriana?

- A tal Dolores...

- Vai ver ela é médium também. Viu como parecia que ela olhava esse amontoado de almas atormentadas aqui?

- Vi sim. Só que pra humanos, demônios, almas, Poltergeists...são tudo a mesma coisa. Eles não sabem diferenciar, não tem como!

- Essa é nova...

- É. E tem mais...

- Mais ainda? O que ainda não sei?

- Você morreu esses dias atrás. Se quiser saber uns 2% terá que permanecer nesse estado por mais uns mil anos que com sorte saberá. Agora, estranhei ela não tê-la visto, hum... – Slototh retornara ao seu olhar estranho e analítico.

- Bom, e agora? Ela desmaiou...Slototh está me ouvindo?

O demônio permanecia parado como se ausente dali. Ângela tentou novamente:

- Slototh? Era só o que me faltava, um demônio surdo! SLOTOTH PRESTENÇÃO!!! O QUE A GENTE FAZ AGORA!?!

A garota tentou mais seis vezes até que...

- SLOTOTH! FALE COMIGO! ESTÁ ME ASSUSTAN...

- QUIETA FEDELHA! FECHE ESSA SUA BOCA DE PIRANHA!

Continua..

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