sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

No mundo dos espíritos

Parte 29


Desesperada chegou na sua antiga casa quase na alta madrugada, o relógio a beira de um cruzamento marcava 4:15 a.m, ao chegar tudo permanecia de certa forma inerte. Sua mãe chorava no quarto, estava largada, parecia que não tomava banho a dias, espancada. Seu pai ainda bebia de luzes apagadas na sala, chorava muito.

O espírito de seu avô continuava a influenciá-los incessantemente, demorou algumas horas para que o outro percebe-se a sua presença. Quando o fez, ele a olhou assustado, passado algum tempo ele descobriu quem era e se armou para defender de um possível ataque da garota. Faltavam seis horas somente para a volta da Velha, e a hora desse encontro se aproximava. Em relação a Tião, ele tomaria um susto inigualável com as ações que estavam sendo formadas em sua mente.


- Ora, então você é a minha neta que faleceu recentemente? – Disse o avô Tião.

- Sim, sou eu.

- Porquê apareceu só agora para mim?

- Estava te analisando.

- Pelo visto descobriu toda a verdade... – Disse em tom sarcástico.

- Sim. – Falou em voz baixa, como se estivesse se contendo.

- Me matar não tem como...e ouvi boatos sobre o escarcéu que vem causado por essas bandas garota, parabéns.

- . . .

- Não vai responder nada? Cadê a educação com o seu avô?

- Não tenho o que responder a você.

- Imagino que tenha vindo aqui me destruir, você não ia gostar de me absorver, eu
poderia corrompê-la, se você deu conta de um demônio de classe baixa, recém-morta, vejo que não me resta outra saída. Venha e satisfaça seu ódio, acabe comigo.

- Porquê isso? Porquê não dá paz a nossa família? Já não basta o que fez em vida?

- O que fiz em vida não arrependo, era meu instinto. Agora...bom, você os abandonou,
e vim terminar meu serviço.

- Você quer castigá-los? Mas pelo o quê? Te fizeram mal?

- Castigá-los sim. N-não sei exatamente, desde que morri não consigo pensar direito eu...AHAM. Não me fizeram mal algum.

- Pois bem. Então peço desculpas.

- Mas pelo o quê? Não entendi, você quer me confundir né? Plantar armadilhas...

- Não é sério, desculpa.


- Desculpa pelo o quê, por me destruir? Você está certa garota! Faça isso, vamos lá! Acabem com isso!

- Eu te perdôo Vovô, de coração. – Disse com um leve sorriso.

- . . .

Se passam longos minutos de silêncio.

- Então você não vai me destruir?

- Não, só vim lhe aconselhar, deixe de ser mal. Você já plantou tanto o mal Vovô, já quase destruiu nossa família, pra quê mais? Já não basta morrer em coma alcoólico dentro de uma prisão imunda, sozinho? Sem ninguém? Sem alguém para lhe dar um abraço forte e verdadeiro na hora da despedida?

- S-sim... – Mais um momento de reflexo. – O que eu fiz? Toda vez que eu abusa da sua mãe eu ficava tão arrependido que ia beber num bar, tamanha a minha vergonha!

- Imagino.

- Não, você não imagina o quanto eu me torturava todos os dias até a hora da minha morte...

- Sim eu sei, você foi muito corajoso.

- No quê? Fui um verdadeiro covarde isso sim! Um fraco! – Falou em pleno desespero.

- Foi um forte sim, você encerrou um verdadeiro ciclo.


- Como assim?

- Você também sofreu abusos na infância não?

- Como sabe disso? – Espantou-se.

- O seu tio fez o mesmo com você.

- M-mas...

- Um empregado fez o mesmo com o tio, um escravo fez o mesmo com seu avô...

- Como sabe disso? Nem eu sei!

- Se aprofundou tanto nas trevas que não enxerga mais os seus obsessores?

- Ah não...

Na hora Tião percebeu que ele não só influenciava, ele também era influenciado. Na verdade ele fazia parte de uma inúmera cadeia de espíritos obsessores, os que abusavam muito do outro, ao morrer se voltava para o abusado o influenciando para a fazer o mesmo criando uma cadeia interminável de abusados que se tornam abusadores.


- Agora entendo...meu deus... – Disse Tião espantando. – E eu quebrei essa cadeia como?

- No momento em que impediu minha mãe de abusar do meu irmãozinho, mesmo sem querer, você a impediu ao voltar a assediá-la de continuar o ciclo e com isso englobou meu pai.

- Eu não sabia...

- Pois bem, e agora você ao percebê-los os espantou, quebrando o ciclo de ódio.

- Nossa...

- E agora, o que irá fazer em relação a nossa família?

Faltava agora uma hora para a chegada da Velha, o dia amanhecia, qual seria a decisão do avô de Ângela?



CONTINUA....(No próximo post: O grande final!)

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