sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

No mundo dos espíritos

Parte 10

- Mas que barulho ensurdecedor! – Levava a mão ao ouvidos Angel.

- Finalmente um verdadeiro antro. Um lugar de almas literalmente perdidas dentro de si mesmas! Depravadas! Deturpadas! – Bradava Slototh.

- Parece até que você tá gostando deste som... – Afastava vagarosamente a garota.

- Desculpa. É que me lembra os tempos de guerra.

- Sei... – Olhava assustada para ele.

- Bom, realmente aqui é um antro. Consegue enxergar a energia que permeia o prédio principal?

- Hmmm. – Analisava Ângela. – Tem razão. Parece uma névoa meio...pálida, densa, quase sólida. É aquilo?

- Exato. Lugares, lares felizes, tendem a não nos atrair ou somente a atrair almas felizes, plenas para esses locais. Agora, locais normalmente ruins tendem a atrair, energias e espíritos ruins também, aqui, bares, casas de show, de prostituição, lares infelizes... Essa energia que envolve aqui serve como um farol para navegantes atrai tudo de ruim...

- Uau. – A menina coçava a cabeça como se começasse a ligar alguns pontos...

- O que foi?

- Naaada não. Só estava imaginando umas coisas.

- E o que seria? – Retrucou desconfiado.

- Er...estava pensando sobre o quê minha pobre amiga vem sofrendo nos últimos dias trancafiada aqui. Sendo médium ainda...

- Verdade. Pronta pra entrar? Lembro que esse tipo de lugar é totalmente diferente do que vimos no hospital ou aqui fora.

- Anda, vem. Eu sei me proteger. – Disse tomando frente.

O local era realmente estranho, ficava a dois quilômetros da estrada principal e tinha um acesso difícil por uma estrada de terra e cercada por uma mata densa. O prédio principal tinha três andares e era muito antigo. Parecia que não era cuidado há anos, o seu estilo lembrava antigas casas coloniais inglesas do inicio do século dezenove. Era cercada por muros altos com cerca de três metros de altura envolvidas por cerca viva. Havia cinco guaritas guardando a propriedade, uma em cada canto do muro e uma central junto ao prédio principal.

Entraram sorrateiramente para que não atraíssem a atenção de espíritos transeuntes. Ao invés de procurarem diretamente por Adriana, pesquisaram o local atrás da sala do diretor. Tudo recomendado por Slototh. Depois de quase uma hora vagando pela estranha estrutura se encontraram em uma ampla sala arejada decorada por cabeças de animais caçados, e troféus misturados a inúmeros diplomas.

Lá o diretor sentado confortavelmente em sua cadeira de couro, conversava com a enfermeira-chefe.

- Pois bem, o que a paciente tem dona Dolores?

- Desde que ela chegou a três dias vem apresentando um caso de esquizofrenia aliada a alucinações profundas. Nem a medicação mais forte funciona.

- Hm, pela ficha diz que ela é somente uma púbere, como tal estado é possível?

- Sinceramente nunca vi algo tão estranho senhor.

- Então ela me parece ser a pessoa ideal, a senhora não acha?

Continua..

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