sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

No mundo dos espíritos

Parte 22

- Provavelmente. Se mesmo ela semi-consciente conversa com você, é sinal de algo ainda falta pra acontecer.

- Hummm, engraçado. Também acho isso, ainda não sinto que irei afastar dela tão imediatamente.

- Ora, ora... – Resmungou Vera olhando fixamente para um velho relógio pendurado na enfermaria.

- O que foi?

- Sabia que este hospital, antes de eu morrer ficava lá onde é a Igreja Matriz?

- Não sabia não...

- Então. Lá, além de atender a elite cafeeira da região, também era local para tortura de negros escravos...

- Que horror.

- Pois é, por acaso você viu, algum negro acorrentado ou em estado deplorável zanzando pelo hospital?

- Nosso. Vi sim, tinha uns espíritos nesse corredor em que estamos. Você está dizendo que até anos atrás ainda judiavam deles e por isso tem alguns aqui?

- Não criança. Tem haver com esse relógio. – Explicava calmamente.

- Então o relógio é de um deles?

- Também não. É o seguinte, o relógio é o único objeto que sobrou do antigo hospital.

- E...?

- Toda vez que algo sobra de sua antiga morada, qualquer morador que tenha algum sentimento por aquela peça e tenha morrido, irão seguir a única recordação.

- Hum. Só não entendi uma coisa, o que isso tem haver com o atual momento?

- Simples, sobrou alguma coisa daquele incêndio e vocês trouxeram pra cá?

- Só uns papéis de extrema importância que guardaram junto com as coisas da minha amiga num almoxarifado.

- Então...quantas pessoas morreram no incêndio mesmo?

- Em torno de 300, eu acho.

- Epa, se prepare e vamos chamar uns reforços, logo eles estarão aqui em busca da sua última ligação com mundo dos vivos...

- Uh! Como assim?

- Esse tal documento, é a única coisa que deve ter sobrado do local, se juntar isso aos que morreram lá dariam quantos?

- Sei lá, foi uma confusão aquilo...uns 500?

- Xi, ainda bem que você me conheceu. Chamei uns amigos meus, eles estão vigiando pontos estratégicos da cidade.

- Desde que morri, só trago confusão...hum, como você se ainda está aqui? – Falou desanimada.

- Como lhe disse, você não sabe de nada ainda. E em relação a essas suas confusões suas, elas acontecem porquê você desrespeita certas regras deste mundo.

- M-mas desrespeitei tanto assim?

- Você não tem idéia o quanto!

- ...

- Agora vamos aonde está esse documento.

- Porquê?

- Temos que queimá-lo.

- M-mas ele é importante!

- Não importa. O que sempre prevalece mesmo é o equilíbrio entre os dois mundos! E...um momento. Eles estão às portas da cidade e avançando rapidamente, vamos logo!

Continua..

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