sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

No mundo dos espíritos

Parte 21



A viagem não foi longa, rapidamente chegaram ao principal pronto-socorro da cidade, que não era o mesmo que era habitado por Slototh. Passaram-se alguns dias, até que Adriana fosse reidratada de forma suficiente, suas feridas cicatrizadas, e ela pudesse enfim despertar de um longo sono. Nesse meio tempo Ângela fez amizade com os bons somente, o local era habitado por todas as formas sobrenaturais possível. Desde espíritos atormentadores, passando por espíritos vampirescos, poltergeists e chegando a demônios.

Angel fez amizade com um espírito denominado Vera, a mesma relatou que havia morrido naquele local a cerca de 60 anos atrás, havia morrido jovem graças à gripe espanhola. Disse a garota que logo que morreu se sentiu confusa por dias e passou a perseguir o marido induzindo-o a desgostos. Achava até certo ponto que ainda estava viva, mas ao perceber, certo dia, que o marido, já desempregado e com uma doença cardíaca, chorava ao olhar uma foto dela lamentando a perda e dizendo que tudo desabou após a morte da mesma, finalmente despertou.

Nisso, já haviam passado 15 anos de sua morte. Atormentando o inocente marido. Falou também, que demorou mais 20 anos para ajustar as contas com ele e lhe promover uma vida digna. O marido havia falecido a 10 anos, havia se casado novamente e teve ainda três filhos. Quando morreu ele havia subido diretamente para níveis muito acima do que elas estavam.

Agora retomemos o diálogo das duas, que protegiam o quarto de Adriana de qualquer interferência sobrenatural:

- Níveis? Como assim Vera?

- Minha filha, você morreu a um mês somente! Tenha paciência! Logo irá descobrir o essencial do nosso mundo! – Aconselhava.

- Hum...tudo bem. É que desde que eu morri, já quase fui enganada duas vezes, estou de saco cheio disso!

- Eu fiquei sabendo mesmo. O espírito transmorfo e o demônio... – Falava agora em tom de reflexão.

- Isso mesmo... Calma aí! Como sabe disso? Você não é um amigo de Slototh não né? – Desesperava a espírito.

- De jeito algum garota! Ainda não alcancei outros planos! Tenho muito o que conversar com meu ex-marido, pedir desculpas... Fiquem sabendo por fofocas oras!

- FOFOCAS? Como assim? Depois que morri, não terei sossego? Será o Benedito? Já não bastava aquelas palhaças da escola falarem mal de mim pelas costas... – Se lamuriava.

- Calma, não é bem assim que funciona...

- Claro que é! Eu me lembro daquelas vacas mugindo coisas horríveis sobre mim no meu enterro...EPA, epa! Como você sabe dessa do Slototh? A gente tava isolado lá!

- Acalma-se pequenina. Nós não conversamos somente dessa maneira que falamos. Existem outras maneiras...

- Sério? Tipo, celular, internet... – Disse numa empolgação daquelas.

- Hã...não exatamente. Isso também é possível, mas é difícil. Como já lhe disse algumas vezes, paciência... – Reafirmava.

- Argh, isso não é Jardim de Infância...

- Pra você é. Agora, soube que você encontrou uma membro do Círculo por lá. É
verdade?

- Nossa, espírito não tem o que fazer mesmo! Só fofoca! Também, não precisa de comida, dormir, roupas novas, um perfuminho, uma bolsa da Vouiton...

- Pare de falar desse superficialismo e responda a minha pergunta!

- Tá, tá... Vi sim.

- Foi você que libertou ela...e ela que acabou com o tal Slototh que te atormentava?

- Isso!

- Hummm...Que ano estamos mesmo?

- Morri em dezembro... 2010!

- Nossa, como o tempo passa rápido...é, tá na hora da lendário convocação e pelo visto...

- Hrmmm...Angel esta aí? É você? Só vejo um vulto... – Disse a recém-despertada Adriana.

- Vai lá! – Cochichava Vera. – Diga a ela, que a hora da sua despedida se aproxima...

- A-angel? E-eu não consigo mais te ver...

- Fique calma amiga. Existe um motivo pra isso.

- O que seria?

- A minha missão com você está acabando, logo você não me verá nem como vulto.

- Como assim? Eu não estou entendendo nada...

- Ângela, venha aqui. – Disse Vera.

- Ela está dopada devido a medicação e não pode responder e tem mais.

- O quê?

- Se ela ainda te vê, mesmo como um vulto, é sinal que sua missão não acabou totalmente.

- Então têm mais ameaças a ela que exige algo de mim?

Continua..

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