sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

No mundo dos espíritos

Parte 25

- Hum, porquê?

- Ora, vocês não são amigas?

- Sim.

- Desde quando vocês são amigas?

- A minha infância, nossas famílias são muito amigas há décadas...

- Era o que eu imaginava, vocês possuem uma ligação psíquica, além de espiritual. Isso vai ser essencial para você tirá-la do transe em que o demônio a impôs para iniciar a fusão deles.

- Fusão, isso me lembra um mangá...

- Preste a atenção garota!

- Desculpa, eu falo muita merda quando to nervosa, e aí?

- Humpf. Então, eu vou iniciar um ritual para a atração de espíritos mais fortes e instruídos para me ajudarem, sou poderosa, mas não imponente o suficiente. Aprenda minha filha. – Falou novamente sorrindo. – Humildade nesse mundo é uma das lições mais importantes, no momento guarde somente ela.

- ...tudo bem. – Disse assustada.

- Vera, você avise os espíritos que protegem aqui para afastar os menos instruídos e causarem manifestações em outros quartos para afastar os humanos daqui.

- Pra quê? E com ela nesse estado vai ser difícil alguém sair, ou pelo menos todos.

- Isso vai fazer parte do plano, não quero nenhum humano por perto, ele pode usá-los e empossá-los. Agora, começam a agir! Eu vou invocar uns amigos para combatê-lo, Ângela entre no quarto, sua presença vai ser o suficiente para pertubá-lo, e comece a chamar a sua amiga, inclusive mentalmente. Vera, começamos com você, seguido da garota e por último. Vamos!

Assim começaram o plano elaborado pela Velha. Vera de início teve uma pouco de relutância dos espíritos residentes em convocar outros não esclarecidos a aumentar a atividade paranormal nos quartos dos pacientes do hospital. Assim que a Velha fora citada, os mesmos obedeceram sem questionar. Em questão de minutos o quadro de todos os pacientes internados se tornou crítico, e tudo aconteceu de forma praticamente instantânea e conjunta.

O número de emergências era tanta que milagrosamente não sobrou nenhum vivo nas redondezas, afinal Adriana estava num estado nada comum, isso assustava todos os presentes que observavam e que estavam a certa distância da garota, seja por medo do desconhecido ou pela própria segurança. Qualquer desculpa que os fizesse sair dali, era bem-vindo.

A primeira etapa foi concluída com uma certa facilidade e também serviram pra espantar boa parte dos espíritos ali presentes, pois boa parte deles se alimentavam da energia vital e/ou sofrimento dos doentes. A simples presença da Velha no local já espantaram de imediato os poucos espíritos curiosos que ainda observavam Adriana.

Ângela a cada minuto se espantava mais com a anciã, sabia que ela era muito antiga e pertencia a um tal Círculo dos 12 a muito estabelecida no mundo dos espíritos e respeitada. Mas não sabia o que era aquilo e porquê era tão respeitada, até por almas ignorantes, simplesmente não entendia. Só sabia que ela pertencia a um alto grau do nível hierárquico do mundo espiritual, por enquanto não seria sábio desobedecê-la, não até descobrir o seu verdadeiro objetivo em relação a ela.

Logo após Vera ter cessado as suas ordens Angel se adentrou no quarto onde a amiga possuída estava. Desde que havia morrido a jovem não havia sentido a temperatura de qualquer local na qual havia passado. Ao adentrar no local, se assustou, sentia um frio inexplicável, sentia um ar denso, muito pesado no local. Parecia que uma névoa ou um vapor de banho havia tomado conta do local, mal enxergava o que estava na sua frente.

Isso tudo ocorreu imediatamente no momento que ela adentrou no quarto, devia ser a reação de perturbação que Slototh estaria manifestando. Tudo estava ocorrendo estritamente dentro do plano da Velha. Angel teve que apertar os olhos para ver a amiga que estava ali. Adriana estava agora encostada na parede sob a cama, o seu visual físico era o mesmo de antes, o olhar misterioso de antes agora havia se transformado num olhar selvagem, perigoso, cruel.

Sem hesitar a Jovem Espírito ajoelhou-se frente a cama, fechou os olhos e se pôs a chamar a amiga mentalmente, concomitantemente começou a chamá-la em voz alta. Só que a voz do demônio respondia com impropérios conhecidos e desconhecidos compreendidos de toda a esfera da mente humana. De cara Angel estranhou, apesar de extremamente falso, encrenqueiro e mentiroso, Slototh era um demônio inteligente e acima de tudo politizado, nem se parecia com aquele ser que respondia como um analfabeto bêbado em briga de bar.

Cessando as próprias análises se voltou a encontrar a alma perdida, dominada ou talvez já fundida da amiga com a do demônio. Lá fora a Velha estava de olhos fechados e em silêncio, de repente abriu os olhos e olhou em volta, estava cercada por três espíritos. Mas Ângela não conseguia enxerga o rosto deles, o motivo era simples...eles eram cercados de pura luz!

Em questão de minutos a garota conseguiu ouvir uma voz fraca vinda de dentro daquele corpo possuído, rapidamente a identificou, era a amiga. Era a hora do sinal, rapidamente agitou as mãos para a Velha para adentrar junto com os outros misteriosos espíritos para iniciarem separação ou exorcismo dos dois. Já ancião abanou a cabeça em negação e disse:

- Agora é somente com você...- Soltando um leve sorriso pelo lado esquerdo da boca.

Abismada ela voltou os olhos para a possessa, ela parecia como um animal selvagem prestes a atacar...

- Ora, ora garota, parece que te abandonaram comigo... – Disse Slototh.

- S-sim. – Disse amendrontada.

- E você sozinha vai fazer o quê?

- Você vai ver...

Novamente Slototh começou a xingá-la, como se tivesse entrando em transe. Com raiva, relembrando os momentos bons que havia passado ao lado do então demônio redimido, Ângela pôs seu sentimento de vingança pra fora. Lembrando de um fato em particular em que havia ocorrido.

Continua..

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