sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

No mundo dos espíritos

Parte 19


A chuva caía sob aquela mata densa. Era a primeira água potável que Adriana tomava em dias. A lama afundava seus pés como areia movediça, escapava desse apuro agarrando em todas as árvores e moita que via pelo caminho. Seus sapatos havia perdido durante a fuga do manicômio, seu uniforme de interna estava todo rasgado.

Ângela olhava tudo aquilo absorta, não podia ajudar a amiga.
No fim de três longos dias de caminhada alcançaram a rodovia. A jovem já mal caminhava, além de extremamente suja não comia a dias. Ainda caminhou toda cambaleante mais três quilômetros numa rodovia desconhecida e para um destino incerto. Os carros que passavam obviamente reparavam no seu estado de subumanidade, mas não se arriscavam a parar por medo de ser um mendigo ou de ser um truque de assaltantes escondidos na mata.

Seu corpo não mais respondia seus comandos como antes, rastejava com um zumbi, estava alheia a tudo a sua volta. Incluindo-se o perigo dos carros e caminhões que rasgavam a rodovia indiferente a frágil vida que ali andava. Talvez por sorte, ou pelas súplicas incessantes ao céus de Angel para que algo de bom acontecesse, uma ambulância transitava por ali. Ela parou ali ao vê-la.

Apesar da sujeira, reconheceram a roupa trajada por Adriana. Rapidamente iniciaram o procedimento de primeiros socorros. Em meio ao atendimento inicial dos dois enfermeiros, e com a amiga dormindo por estar cansada e extasiada pela medicação, o espírito voltou a sua atenção a conversa dos dois:

- Nossa cara, eu só to acreditando pelo uniforme!

- Eu também! Olha o estado da garota! Quase morta!

- Incrível, informe a o pronto-socorro pelo rádio a escala de Glasgow da garota para que iniciem os preparativos para a recepção.

- Ok. Carro 12-3 chamando central do pronto-socorro municipal, está me ouvindo câmbio?

- Cara, esse aparelho tá com uma estática estranha... – Comentou o colega.

- Espera aí cara. Hummm...escala 8 câmbio. (...) Tudo bem, ela é uma sobrevivente. Câmbio final.

- Aposto que era aquela gorda mala da recepção.

- Acertou, ainda não acredito que essa garota sobreviveu sozinha todos esses dias.

- Nem eu. Os jornais chamaram aquela carnificina lá de “A Noite Negra.”

- Aquilo foi macabro. Um primo meu que é bombeiro chegou lá na manhã seguinte.

- E o que ele viu?

- Corpos, pedaços de corpos, outros dilacerados, espetados pelo terreno, profanados... Um inferno praticamente!

- Nossa! – Disse assustado. – Deve ter sido um horror.

- É, e foi tão feio que ele e outros entraram em choque e se afastaram do serviço...

- Virgem Maria! E quantas pessoas tinham por lá?

- Mais de 300. E os corpos que faltam achar são só de sete meninas. Felizmente essa escapou...

Continua..

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