terça-feira, 11 de janeiro de 2011

No mundo dos espíritos

Parte 5

O caixão por fim foi depositado em seu jazigo e selado. Ângela chorava copiosamente, não acreditando na tamanha comoção de amigos e parentes. Ainda mais, no carinho demonstrado por todos os presentes. Ainda voltando das suas fortes emoções, espiava a única que pessoa que ainda contemplava seu túmulo. Notou algo estranho na pessoa, sabia quem era e o porquê estava ali. O jovem sussurrava baixo a palavra perdão, acariciando o jazigo ainda fresco pelo cimento.

- Slototh. – Falou séria. – Agora sei quem profanou meu corpo. Vamos ao hospital, a pessoa está lá.

- Como sabe? – Perguntou assustado.

- Vem, o plantão dela acaba ao meio-dia. Quero que me ensine umas técnicas de assombrar.

Impressionado com a repentina ação de Angel, Slototh corria atrás da garota perguntando sem parar:

- Vai com calma e me explica! Não to entendendo...

- Calma nada! Já são mais de 11 da manhã!

- Ou se acalma e me explica ou nada feito!

- Hum tá. – Disse com uma voz inconformada. – Seguinte, aquele que estava em meu túmulo é meu primo. A namorada dele é meio maluca, já foi até internada e tal. Eu com ele éramos bem próximos e só. A maluca já me ameaçou, teve até polícia.

- Entendi, mas o que tem a ver com a profanação?

- Simples. Uma vez fui visitar meus tios e ela estava lá, mal podia conversar com meu primo por causa daquela maluca. Saíram para buscar algo para bebermos pro almoço e aproveitei pra fuçar na bolsa dela que estava no quarto do meu primo.

- E...?

- Achei três livros de magia negra. Ela mexe com essas coisas, anda de preto e tal, esquisitona. Vendo o meu primo todo murmuroso no meu túmulo, percebi que ele sabe de algo. Ele não é de ficar carregando culpa, nunca foi.

- Se for magia de verdade, os resultados sempre são catastróficas pra quem usa. Mas então pra quê ir ao hospital?

- Ela é técnica em enfermagem bem no seu hospital. Trabalha lá a mais ou menos 15 dias, se não me engano, tenho tanta raiva dela que havia me esquecido.

- Novata...novatas lá ficam no necrotério!

- Bingo.

- Eu vou matar aquela maluca literalmente de susto!

- Se ela mexe com magia negra teremos que ir com cuidado, mal sou um demônio, esqueceu? Se ela for mesmo e nos perceber, já era pros dois. Estamos conversados?

- Sim. – Falou Angel num tom sério.

Enfim chegaram ao hospital. Correram para o necrotério, o local estava lotado de cadáveres e almas recém desencarnadas perdidas pra lá e pra cá. Parecia metrô em dia de pico. Com muito custo chegaram na sala de refrigeração.

- Aposto que é aquela de cabelo bem preto.

- Acertou. Ainda não acostumei com essa...vida. Olha como isso aqui tá cheio!

- Sempre foi assim. Ela está usando duas correntes, uma cruz. Até aí nada demais, cruz não serve pra nada mesmo. Epa, um pentagrama.

- Isso atrai demônios né?

- Errou, espanta.

A namorada do primo de Angel se chamava Josi, obviamente sem perceber as entidades ali presentes, foi a recepção entregar seus relatórios do final de mais um dia de plantão. Saindo daquele local sufocado por um mar de almas perdidas, eles a seguiram. Ao chegar na recepção perceberam que algumas almas a seguiam em fila.

- Olha Ângela, tem cinco seguindo ela...Xiii. Acho que se você quiser se vingar dela, vai dar trabalho.

- Porquê?

- Vou te ensinar tudo que sei. Mas ela atraiu pra si um demônio, que graças ao pentagrama não se aproxima dela e o resto são poltergeists. Pela maneira que andam, ela os invocou! Isso muito mal garota, muito mesmo...


Continua...

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