Parte 3
Andou pelas redondezas, amigos de verdade e de mentira e confundiam. Uns falavam bem sobre a vida da garota. A maioria falava mal ou faziam piadinhas. Mas e outras almas por ali? Não perto da casa, outro mistério para um outro momento. Angel via elas afastadas da casa com um olhar estranho, tanto as boas como as más.
Resolveu ver Roberto, seu único irmão, com 5 anos de idade.
O garoto estava só em seu quarto, como se estivesse alheio a tragédia que rondava a sua família. Brincava no chão do quarto todo decorado com imagens típicas da infância.
Ângela encostou e passou a observar a doce e inocente brincadeira do irmão. Até que ele parou e começou a olhar para onde ela estava, olhou por muitos minutos até que disse:
- Irmãzinha, onde estava? Mamãe está preocupada! Quer brincar comigo?
- Ó meu deus... – Disse ela assustada.
- Vem maninha, vem! – Retrucava o menino.
- Uh...? Você está me vendo Beto?
- Claro Angel!
- ...
- Vou chamar a mamãe, ela está até chorando!
- Não faça isso. É...o seguinte. Isso é uma brincadeira tá? Olha só você vai me ver, tudo bem? Daí se eu precisar de alguma coisa você conta pra ela. Mas é segredo hein? Ninguém pode saber de mim.
- Tudo bem Angel...Uhuaaaa... – Soltou um bocejo largo e preguiçoso.
- Vem pra cama, vou fazer você dormir.
Após longos minutos, o menino adormeceu. A essa altura Ângela conseguia identificar qualquer tipo de espírito. Mas não sabia identificá-los como maus, bons ou qualquer outra coisa. Torcendo para que seu irmão, sua única ponte para o mundo dos vivos, não a revela-se a família que podia conversar com ela, ou que ele fosse taxado de maluco tão novo, ela seguiu para o hospital.
- Claro Angel!
- ...
- Vou chamar a mamãe, ela está até chorando!
- Não faça isso. É...o seguinte. Isso é uma brincadeira tá? Olha só você vai me ver, tudo bem? Daí se eu precisar de alguma coisa você conta pra ela. Mas é segredo hein? Ninguém pode saber de mim.
- Tudo bem Angel...Uhuaaaa... – Soltou um bocejo largo e preguiçoso.
- Vem pra cama, vou fazer você dormir.
Após longos minutos, o menino adormeceu. A essa altura Ângela conseguia identificar qualquer tipo de espírito. Mas não sabia identificá-los como maus, bons ou qualquer outra coisa. Torcendo para que seu irmão, sua única ponte para o mundo dos vivos, não a revela-se a família que podia conversar com ela, ou que ele fosse taxado de maluco tão novo, ela seguiu para o hospital.
No caminho encontrou muitas almas caminhando em direção oposta, vinham do hospital. Boa parte correspondia a pessoas que lá padeciam. Outra porção eram espíritos atormentados que a séculos que perseguiam outras almas por vingança. Havia também as más que lá viviam sugando a essência dos quase-mortos. Ou simplesmente os seduzindo para que se deprimissem até a morte.
O clima do local era muito pesado, mais que a favela onde ela quase fora capturada. Ela não estava preparada para aquilo. Ao adentrar no saguão principal o clima de angústia parecia contaminá-la. Mas antes, em meio aos transeuntes viu uma coisa escura se esgueirando e indo de encontro a ela. Era o comitê de boas vindas...
O clima do local era muito pesado, mais que a favela onde ela quase fora capturada. Ela não estava preparada para aquilo. Ao adentrar no saguão principal o clima de angústia parecia contaminá-la. Mas antes, em meio aos transeuntes viu uma coisa escura se esgueirando e indo de encontro a ela. Era o comitê de boas vindas...
Angel assustou, o clima dos vivos era até bom. Poucas pessoas na fila de espera, a emergência vazia. A maioria dos funcionários estava aproveitando a pausa para tomar um café e jogar alguma conversa fora. Por outro lado, o mundo na qual a menina agora pertencia não exibia esse clima agradável. A grande maioria das almas eram atormentadas pela morte sofridas que haviam tido.
A maioria revivia de forma incessante o seu último momento de vida terrena, ainda não haviam se desprendido de sua última encarnação. Outras vagando pelo hospital como se fossem pacientes ainda, havia também algumas almas estáticas, paradas, totalmente inertes como estátuas.
Os gritos principalmente, estes a assustavam. Os vivos não ouviam, ela pelo contrário, se sentia dentro de um manicômio. A única alma negra, talvez não fosse alma, se aproximava lentamente dela. Chegou perto dela, a cheirou e perguntou:
- Hum. Morreu a pouco. O quer aqui? – Perguntou o ser negro e sem olhos.
- Quem é você?
- Perguntei primeiro, está em meu território.
- Er...estou aqui pra descobrir quem dilacerou o meu rosto, o do meu corpo.
- Quer vingança pequenina?
- E-eu não sei.
- Sabe o que eu sou? Ou o porquê destes serem diferentes?
- Não tenho idéia.
- E eu?
- Também não.
- Quem é você?
- Perguntei primeiro, está em meu território.
- Er...estou aqui pra descobrir quem dilacerou o meu rosto, o do meu corpo.
- Quer vingança pequenina?
- E-eu não sei.
- Sabe o que eu sou? Ou o porquê destes serem diferentes?
- Não tenho idéia.
- E eu?
- Também não.
- Nem suspeita o porquê algum se deu o trabalho de se disfarçar de sua falecida avó?
- Como...?
- Ou a tentativa falha daquilo querer você?
- Estou confusa. Sua aparência é horrível, mas me parece ser bom.
- É raro alguma alma externa ter coragem de entrar aqui. Sou um Ascendente,
abandonei as terras baixas dominadas por espíritos, transmorfos e demônios. Aliás, sou um deles e busco um lugar na luz.
- Um demônio?
- Exato. Venha, antes de ajudar em sua busca, vou lhe ensinar o que é este novo mundo.
Olhava assustada, não podia confiar em nada ou alguém. Muito menos se aquilo seria mais uma promessa falsa.
- Como...?
- Ou a tentativa falha daquilo querer você?
- Estou confusa. Sua aparência é horrível, mas me parece ser bom.
- É raro alguma alma externa ter coragem de entrar aqui. Sou um Ascendente,
abandonei as terras baixas dominadas por espíritos, transmorfos e demônios. Aliás, sou um deles e busco um lugar na luz.
- Um demônio?
- Exato. Venha, antes de ajudar em sua busca, vou lhe ensinar o que é este novo mundo.
Olhava assustada, não podia confiar em nada ou alguém. Muito menos se aquilo seria mais uma promessa falsa.
- Uh...me deixou com medo. Eu tenho que ter medo? – Perguntou Ângela com a voz trêmula.
- Sim, e muito. Espíritos jovens como você são facilmente destruídos. – Disse o ser com voz seca e fazendo uma luz vermelha aparecer de suas órbitas vazias.
-N-nossa. E o que um demônio como...qual o seu nome mesmo? – Disse mais confusa e com medo.
-Slototh. Esse é meu nome, sou quase incógnito neste lado do globo. Mas qual a sua pergunta?
- Vocês...surgem, nascem...?
- Ah, somos criados. Grande parte dos demônios surge quando passam muito tempo em reinos inferiores, mas nos mais profundos. Muitos milênios são necessários.
- E...quantos anos você demorou pra vir pra cá e o que faz aqui?
- Voltei pra Terra depois de 6000 anos. Como disse, busco Ascensão. Quero me livrar do Ciclo, minha aparência atrapalha para que eu guie os recém-chegados para o caminho correto. Estou nesse hospital a quase 10 anos sem nenhum resultado frutífero.
- Sim, e muito. Espíritos jovens como você são facilmente destruídos. – Disse o ser com voz seca e fazendo uma luz vermelha aparecer de suas órbitas vazias.
-N-nossa. E o que um demônio como...qual o seu nome mesmo? – Disse mais confusa e com medo.
-Slototh. Esse é meu nome, sou quase incógnito neste lado do globo. Mas qual a sua pergunta?
- Vocês...surgem, nascem...?
- Ah, somos criados. Grande parte dos demônios surge quando passam muito tempo em reinos inferiores, mas nos mais profundos. Muitos milênios são necessários.
- E...quantos anos você demorou pra vir pra cá e o que faz aqui?
- Voltei pra Terra depois de 6000 anos. Como disse, busco Ascensão. Quero me livrar do Ciclo, minha aparência atrapalha para que eu guie os recém-chegados para o caminho correto. Estou nesse hospital a quase 10 anos sem nenhum resultado frutífero.
- Que pena. Lamento.
- Não diga isso, minha história é longa, qualquer dia te explico bem resumido. Me acompanhe criança. Hora de começar o treinamento.
Caminharam pelo hospital, o branco do local se confundia com o desespero e a névoa densa e ácida que tinha no mundo dos mortos. Do saguão caminharam por um corredor estreito, a medida que adentravam, no corredor muitas almas perdidas, loucas e sofrendo pareciam em sua frente. Quase todos demonstravam ainda o motivo de suas mortes em seus rostos e corpos. Ainda não sabiam que podiam se reconfigurar e continuaram a sofrer como se estivessem em vida.
- Nossa, como gritam! Vão me enlouquecer! – Falou Angel muito assustada e aterrorizada com a cena que via.
- Calma. Eles não nos farão mal. Estão tão mergulhados em sua agonia e dor que não vêem nada a sua volta.
- Não diga isso, minha história é longa, qualquer dia te explico bem resumido. Me acompanhe criança. Hora de começar o treinamento.
Caminharam pelo hospital, o branco do local se confundia com o desespero e a névoa densa e ácida que tinha no mundo dos mortos. Do saguão caminharam por um corredor estreito, a medida que adentravam, no corredor muitas almas perdidas, loucas e sofrendo pareciam em sua frente. Quase todos demonstravam ainda o motivo de suas mortes em seus rostos e corpos. Ainda não sabiam que podiam se reconfigurar e continuaram a sofrer como se estivessem em vida.
- Nossa, como gritam! Vão me enlouquecer! – Falou Angel muito assustada e aterrorizada com a cena que via.
- Calma. Eles não nos farão mal. Estão tão mergulhados em sua agonia e dor que não vêem nada a sua volta.
Continuaram no corredor estreito, atravessaram diversas alas até chegarem a uma semi-desativada. Entraram em uma enfermaria antiga, empoeirada. Tomada por teias de aranha, ainda tinha uns medicamentos e seringas nas mesas. Cadeiras pelo chão, parecia que fora abandonada as pressas. O silêncio era absurdo, nenhuma outra alma parecia se atrever a seu aproximar daquela ala. Aquela sala então, parecia impossível.
Vagarosamente e com muito respeito adentraram no local, como se fosse um santuário. Entre dois armário brancos num canto sujo viram que tinha uma garota encolhida, seus olhos eram exalava loucura e maldade, instintivamente Angel deu um passo pra trás. Slototh disse:
- É a hora de encarar a realidade garota...veja o que será sua realidade de agora adiante.
Vagarosamente e com muito respeito adentraram no local, como se fosse um santuário. Entre dois armário brancos num canto sujo viram que tinha uma garota encolhida, seus olhos eram exalava loucura e maldade, instintivamente Angel deu um passo pra trás. Slototh disse:
- É a hora de encarar a realidade garota...veja o que será sua realidade de agora adiante.
- Calma aí. Você quer que eu vá lá? Se nem os outros se aproximam daqui. Eu que não vou. Olha lá no fundo, os olhos dela estão brilhando, o cheiro...o ar pesado. O que essa criatura fez?
- Falou bem. Criatura, agora é uma. – Disse Slototh enquanto olhava as próprias mãos.
- Como assim? O que ela fez.
- Bom, vou te explicar resumidamente. Você irá entender o porquê dela ter...virado isso. Mas entra lá, vai.
- Nem vem Slototh! Nem descobri o que e o porquê de tanta coisa acerca de minha morte. Explica logo.
- Hum, tá. O nome dela é Maria Josefina. Nascida em 1912, morreu nesse hospital no dia da inauguração em 1925.
- ...
- Porquê tá me olhado assim?
- Você ainda não me explicou o motivo. Para de enrolar!
- Nossa, mal desencarnou e já tá toda nervosinha hein? Uh...pois bem. Voltemos ao corredor então.
- Não entendi...
- Sabia que quanto você conversa sobre alguém que já morreu, ou a mantém ela em pensamento, não importa em que plano ela esteja, a chance dela ao poucos se aproximar de você vai aumentando?
- Falou bem. Criatura, agora é uma. – Disse Slototh enquanto olhava as próprias mãos.
- Como assim? O que ela fez.
- Bom, vou te explicar resumidamente. Você irá entender o porquê dela ter...virado isso. Mas entra lá, vai.
- Nem vem Slototh! Nem descobri o que e o porquê de tanta coisa acerca de minha morte. Explica logo.
- Hum, tá. O nome dela é Maria Josefina. Nascida em 1912, morreu nesse hospital no dia da inauguração em 1925.
- ...
- Porquê tá me olhado assim?
- Você ainda não me explicou o motivo. Para de enrolar!
- Nossa, mal desencarnou e já tá toda nervosinha hein? Uh...pois bem. Voltemos ao corredor então.
- Não entendi...
- Sabia que quanto você conversa sobre alguém que já morreu, ou a mantém ela em pensamento, não importa em que plano ela esteja, a chance dela ao poucos se aproximar de você vai aumentando?
- Sério? Então se eu pensar demais em uma pessoa querida que morreu a tempos ela aos poucos se aproxima de mim? E se chegar perto?
- Bom, a chance de sua vida virar um inferno é imensamente grande, não importa se ela tem boas intenções ou não.
- E como uma pessoa viva sabe que, sei lá, tem um espírito ou um sei-lá-o-quê tá por perto?
- Simples, cantos frios na casa. Animais inquietos, coceira constante nas pernas...tem um monte.
- Uh, minha amiga Adriana tinha coceira na perna direto, sem contar outras coisas...Calma aí, você tá me enrolando e não quer me contar a história da garota. Tá com medo é?
- Hehehe, bom...eu, eu não. Imagina...
- Tá sim, poxa! Tu é um demônio meu!
- Você quer dizer: ainda sou um demônio. Depois que passei a ajudar outras almas ando perdendo minhas forças. Atualmente não encararia aquela garota de jeito algum. Vamos nos afastar mais, não quero que ela ouça a própria história ou se lembre. Se ela sair daquela saleta vai ser um pandemônio tanto para vivos quanto pra mortos.
- É tão grave assim?
- Bom, a chance de sua vida virar um inferno é imensamente grande, não importa se ela tem boas intenções ou não.
- E como uma pessoa viva sabe que, sei lá, tem um espírito ou um sei-lá-o-quê tá por perto?
- Simples, cantos frios na casa. Animais inquietos, coceira constante nas pernas...tem um monte.
- Uh, minha amiga Adriana tinha coceira na perna direto, sem contar outras coisas...Calma aí, você tá me enrolando e não quer me contar a história da garota. Tá com medo é?
- Hehehe, bom...eu, eu não. Imagina...
- Tá sim, poxa! Tu é um demônio meu!
- Você quer dizer: ainda sou um demônio. Depois que passei a ajudar outras almas ando perdendo minhas forças. Atualmente não encararia aquela garota de jeito algum. Vamos nos afastar mais, não quero que ela ouça a própria história ou se lembre. Se ela sair daquela saleta vai ser um pandemônio tanto para vivos quanto pra mortos.
- É tão grave assim?
- Muito. Ouça, certas pessoas já nascem malditas. Ou seja, a alma dela vem sendo perturbada por outras, que querem vingança por coisas de vidas passadas. Ela é um bom exemplo disso. Desde o primeiro dia da existência de sua alma, ela vem destruindo e maleficando tudo o que vem pela frente. Essa aí acumulou muitos espíritos vingativos em seu encalço ao longo dos milênios. Muito mesmo, toda vez que reencarnava o mundo dos vivos virava de perna pro ar. Nessa última a alma perturbada e dilacerada desse ser que sofreu muito, enlouqueceu.
- E nessa última encarnação?
- Se prepara, isso não saiu na mídia da época por motivo óbvio. Com 5 anos ela matou toda a família, eram 6 pessoas ao todo. Ela já nasceu além de perturbada pelos espíritos vingativos, ciente das outras vidas, isso raramente ocorre.
- E depois?
- Ninguém desconfiaria de uma criança. Foi adotada aos 7 por um casal dessa cidade.
- Não me diga que ela foi a do Sítio Anhumas? Aquele que dizem assombrado?
- Exato. Com 12 anos ela, como imagino que deva saber. Matou e esquartejou e ainda canibalizou todos os 25 moradores do casarão e ainda os muito mais que se aproximavam daquele local estranhando o sumiço e silêncio dos moradores.
- E nessa última encarnação?
- Se prepara, isso não saiu na mídia da época por motivo óbvio. Com 5 anos ela matou toda a família, eram 6 pessoas ao todo. Ela já nasceu além de perturbada pelos espíritos vingativos, ciente das outras vidas, isso raramente ocorre.
- E depois?
- Ninguém desconfiaria de uma criança. Foi adotada aos 7 por um casal dessa cidade.
- Não me diga que ela foi a do Sítio Anhumas? Aquele que dizem assombrado?
- Exato. Com 12 anos ela, como imagino que deva saber. Matou e esquartejou e ainda canibalizou todos os 25 moradores do casarão e ainda os muito mais que se aproximavam daquele local estranhando o sumiço e silêncio dos moradores.
Continua...
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