sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

No mundo dos espíritos

Parte 20


- Peraí. Morreram mais de 300 pessoas lá?

- É. Ninguém pode ter matado sozinho tudo aquilo. A polícia acha que é uma gangue ou algo pior...mas vai por mim. O meu primo me disse que aquilo não parecia coisa humana não. O cheiro ocre de sangue e vísceras no ar, aquele monte de presunto pendurado.

- Que coisa. Não é a toa que ele pediu uns dias. No dia seguinte que eu soube do massacre entrei na internet pra saber sobre esse lugar. Parece que a cada 40 anos ocorre algo do tipo por lá. Parece que desde a sua fundação no século XVIII quando um barão construiu aquilo e a família dele foi morta misteriosamente...

- Pára de viajar cara! Tu tá vendo muito seriado de coisa paranormal.

- Pode ser...

- Mas que foi bizarro foi, morrer aquele monte. Imagina comigo, se eles tivessem se matando, quem deu o último golpe?

- Tem sua lógica. Afinal já conseguiram identificar todos os corpos, fora as oito desaparecidas.


- Agora são sete. Esqueceu dessa menina?

- Ah é. Pobre dela. Tá enrolada quando sair do hospital, tem muitas perguntas pra responder...Cara, quase metade dos corpos encontraram na mata que cercava o hospício.

- Aí que tá estranho. Algo muito estranho aconteceu...

Angel já sabendo de tudo que aconteceu nesses dias, estava de saco cheio dos dois tagarelas. Adriana estava tentando dormir, por estar dopada ela ficava ali acordada balbuciando coisas que ninguém entendia. Ela soltou um grito de cala boca bem alto para o dois...

- Cara senti um arrepio, acho melhor a gente mudar de assunto...

- Eu também senti, e juro que ouvi alguém me mandando calar a boca...

- Hum... Vamos ficar quietos a garota merece descanso.

- Tem razão. Antes disso, você não acha que já era pra gente ter chegado?

- Pois é. O Roger tá lerdo hoje. – Batendo no vidro do motorista, ele chamava. – Ô Roger! Tá dormindo seu gordo! Que demora! – Tentava espiar o colega, mas não conseguia. Apesar de ser verão aquela ambulância estava pra lá de fria.

- E aí? E ele?

- Calma, o vidro tá embaçado! Vou limpar...Ô merda cara! Acho que ele morreu! Tá com a cara no volante!

- Saco. – Lamentava Ângela. – Sobrou pra mim de novo! Acho que vou tentar uma abordagem diferente pra salvar esse povo...

Assim a espírito atravessou para o lado do passageiro e olhava o homem sob o volante. Tentava descobrir se ele morreu ou havia apenas havia desmaiado. Mas não havia tempo para avaliações, a ambulância já tinha atravessado para a pista contrária e ameaçava despencar em um barranco. Resolveu tentar algo novo, a possessão de um corpo.

Sabia que o mesmo não era impossível caso ele estivesse morto, adentrou no corpo e lá viu o espírito do motorista. Perdido, preso na casca da mortalidade, sem saber como controlar o seu corpo. Assim Angel assumiu o controle do corpo do motorista e levantou a cabeça, como se nada tivesse acontecido. O enfermeiro que via por detrás se acalmou ao vê-lo voltar do desmaio. Só havia dois problemas: Ângela não sabia dirigir e Roger o motorista na verdade não teve um desmaio e sim um AVC (acidente vascular cerebral, o popular derrame), ou seja, suas funções cognitivas estavam lentas ou haviam cessado.

- Ahhh meu deus! – Dizia um dos enfermeiros. – O Roger deve ter chegado em algum boteco enquanto levávamos aqueles pacientes para o Hospital da capital!

- Só pode! – Respondia o outro.

Lá na frente, Ângela nem conseguia responder. Devido ao AVC se tentasse falar ela sabia que soaria realmente como bêbado. Ela fazia o que podia para controlar a ambulância, após muitas tentativas finalmente descobriu onde ficava o freio e conseguiu parar o veículo. Dentro do corpo a alma de Roger havia despertado após o trauma súbito, longe de possuir alguma experiência naquilo que estava fazendo, Angel fora automaticamente expulsa do corpo.
Os enfermeiros por outro lado saíram fulos do carro e foram tirar satisfação com o amigo:

- Tá louco Roger? Tá bebendo inferno!

- Eu jjjj, hurmmm... – Tentava falar.

- Cara, ele não só bebeu, tá drogado, só pode!

- Sei não...prestenção. Ele tá babando, tem razão...olha as pupilas dele.

- Xiii cara, tá uma dilatada e a outra não, que droga faria isso? Bafo de pinga num tá, mas tá com de pingado...

- Como você repara hein? Cara olha só, ele só mexe metade do corpo! É AVC! Dirige a ambulância enquanto eu cuido dos dois lá trás e avisa o hospital que estamos levando o Roger com AVC também.

Assim a nossa amiga espírito sorriu. Evitou um acidente, salvou, além da vida de sua amiga, o de outro homem, e possivelmente também de outros dois. Agora ela acompanhava tranqüila a amiga dormir na parte de trás, e ela parecia sorrir como se quisesse agradecer. De alguma forma ela sentia um aperto percorrer o seu ser. Lhe parecia que a missão de proteger sua melhor amiga estaria perto do fim.

Continua..

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